[RP] Same Old War

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[RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Seg Jul 27, 2015 10:34 pm

Same Old War
Local: Ginásio;
Status: Em andamento e restrita;
Conteúdo: Livre;
Tempo: Dia, Sábado.
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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Seg Jul 27, 2015 10:51 pm




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O som do impacto da bola contra o chão do ginásio era tudo o que podia ser escutado naquela tarde. Eu estava sozinho ali, a maioria dos detentos estava provavelmente no refeitório comendo do almoço que logo seria servido e tudo o que eu queria naquele momento era poder tirar um tempo sozinho para pensar, sendo isso o que eu mais precisava fazer. A vida toda eu jurei que Möa era a mulher da minha vida, eu jurei que um dia eu conseguiria fazer com que ela sentisse por mim o mesmo que eu sentia por ela e que um dia talvez nós pudéssemos ficar juntos, mas as coisas estavam diferentes agora. Eu sabia que eu era a pessoa que mais se preocupava com a polonesa em todo o mundo e provavelmente as coisas continuariam assim, mas agora eu tinha um segundo nome na minha lista de prioridades e ele não deixava a minha cabeça: Tess.

Eu não queria pensar que alguém um dia poderia substituir Möa e o sentimento estava simplesmente acabando comigo. Eu sabia que talvez o afeto que eu sentia por Tess fosse oriundo da solidão que eu experimentava naquela prisão e ela acabou sendo a única companhia fixa que eu tinha perto de mim, a única pessoa que eu tinha para conversar, logo a pessoa por quem eu acabaria me envolvendo. Mas eu não sabia se eu queria isso ou se eu gostaria de descobrir qual efeito esse episódio teria sobre minha melhor amiga desde o início da vida. Eu estava extremamente confuso e não havia coisa que me deixasse mais puto e frustrado.

A tabela de basquete era velha e estava descascando, a cesta parecia perto de cair contra o chão. Ainda assim estava soerguida sobre minha cabeça e longe o suficiente para exigir certa mira, enquanto eu quicava a bola e planejava o trajeto que ela faria até eu conseguir coloca-la dentro de onde deveria. Eu joguei basquete por um tempo quando na escola, mas nada parecido desde então. Eu não era um atleta nem um grande fã de esportes, mas eu havia aprendido naquele lugar que era necessário se exercitar para esvair de alguns sentimentos, principalmente nervosismo e frustração. Pelo menos estava dando certo desde então. Segurei a bola entre os dedos e então com um pulo a atirei contra a tabela, a enxergando perfeitamente conforme adentrava a cesta da forma com que eu planejava. Soltei um suspiro, agarrando o objeto contra meu peito.

Eu tinha que sair da Oblivion e pensar que talvez fosse mais difícil do que eu pensava era frustrador. Meu lábio superior ainda estava inchado por conta da última briga que havia tido com um Sentry na noite anterior e eu conseguia sentir minhas novas cicatrizes de queimadura por meu braço direito, se tornando apenas uma lembrança de todo o pesadelo que estava passando por ali. Eu estava cansado de ser tratado como lixo, galo de briga e todos os outros objetos para divertimento de todos por ali. Eu queria sair, eu queria fugir e nunca mais voltar, mas a ideia parecia muito mais fantasiosa do que deveria. Eu estava trabalhando na criação de mapas, eu estava planejando todos os modos de escapatória dali, mas a prisão era como um labirinto e impossível de se tratar, fora a sua Staff que tinha o poder de anular nossas únicas esperanças de sair dali. Eu não havia desistido ainda, muito pelo contrário. Eu só tinha que calcular mais e tentar sobreviver até então.

Voltei a pegar a bola de basquete que pingava sozinha contra o chão lustrado e a quiquei novamente, batendo-a vezes consecutivas contra o chão e minhas mãos. O meu bispo - amuleto da sorte - que sempre carregava comigo pesava em meu bolso e me mostrava que aquilo o que estava vivendo era real, e que eu realmente era melhor no basquete do que imaginava. Mais uma vez segurei a bola entre os dedos e pulei, esticando os braços e a lançando na linha reta que novamente se encontrou com a cesta, a enterrando onde estava. Senti minha respiração começar a se tornar pesada pelo esforço físico e aos poucos o meu corpo reclamar pelo exercício, como pulmões e pernas. Pelo menos aquela fadiga era cem vezes melhor do que qualquer outro tipo de sensação e era forte o suficiente para mascarar qualquer outro sentimento. Tudo o que eu queria era sentar e relaxar por alguns minutos, coisa que parecia simplesmente impossível no inferno em que eu me encontrava.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Ayra Wlodzrek Ziemowit em Ter Jul 28, 2015 12:42 am


Cansaço era a palavra que me definia. Logo de manhã decidi aparecer em minha sala de treinamento e lá estava minha treinadora misteriosa arrancando meu fôlego e minhas forças com tudo o que ela podia. O resultado já era visto e percebido por mim. Eu estava ficando mais ágil, mais forte, mais esperta e tinha mais conhecimento sobre meu dom do que quando tinha entrado em Oblivion. Descobrir mais sobre meu dom era o único ponto positivo de estar naquela prisão. A cada dia que passava eu descobria mais sobre o que eu podia fazer e meus limites caiam vagarosamente. Claro, ainda tinha muito o que aprender, mas, honestamente, eu queria aprender longe dali, no meu país amado, perto da minha família, dos meus animais, de Bran.

Antes mesmo que aquelas emoções todas tomassem conta de mim, decidi ocupar minha mente com outra coisa. Iria para minha cela, conversaria com meu companheiro até que toda aquela bagunça de emoções se dispersassem. Era complicado sentir saudade o tempo todo. Uma saudade que nunca passava. Uma saudade que tendia só a aumentar. Saudade é algo como fome: só passa quando você se alimenta da presença da pessoa. Nessas circunstâncias, temia que a saudade nunca passaria. Meu medo era a eternidade no “esquecimento” – Oblivion –, mas eu tinha que me lembrar sempre que a esperança era o antídoto para todo e qualquer medo.

Droga! — Praguejei baixinho quando não encontrei nem sinal de Uriel na cela. Provavelmente ele tinha saído com aquele outro garoto, o problemático que vivia tirando meu companheiro da cela. Apesar de não ter tido muito contato com o garoto Uriel, não queria que ele se metesse em encrenca e o tal Andrew tinha cara e cheiro de confusão. Mas quem sou eu na fila do pão pra dar opinião acerca das amizades dos outros, certo? Eu podia aproveitar a ausência do meu companheiro para dormir. Porém, mesmo cansada, estava pilhada. Estranho. Incompreensível. Ah, tanto faz. Ficar ali e esperar o sono chegar só pioraria o tornado de lembranças. O travesseiro parecia saber exatamente o que eu não queria lembrar e me torturava todas as noites. Se eu já sofreria uma tortura noturna, pra quê adiantar o processo?

Eu sabia de um lugar que pouca gente visitava, além da minha área de treinamento. Poderia ir para a quadra externa, talvez eu encontrasse o metamorfo novamente e trocaríamos novas experiências, mas o sol estava rachando mamona e eu não queria sapecar ao meio-dia. Então, minha melhor opção era o ginásio. Quem sabe alguns passarinhos não me fariam companhia? Pássaros... Outra vez minha mente me levou para meu lugar favorito no mundo. E teria algo que, algum dia, me faria esquecer o pantanal? Talvez.

...

Os passos eram apressados na direção oeste da prisão, onde ficava o ginásio. Meu ipod estava ligado em volume suficientemente alto para que eu não ouvisse ninguém. Something Bad era uma das minhas músicas preferidas, fazia parte da trilha sonora da minha vida até ali, mesmo que as coisas ruins que eu já tenha feito não passe de implicar com meus irmãos e, talvez, ofender uma colega de classe.

Assim que entrei na quadra, uma “batucada” de bola contra cimento foi além dos fones de ouvido, fazendo-me erguer a cabeça e encarar a figura que encestava a bola de basquete. Franzi o cenho e fiz uma careta leve ao perceber que o ginásio fora descoberto por mais um detento. Bem, o jeito é procurar outro local, pensei. Ao primeiro passo de dar meia-volta e ir para minha cela, senti um peso atingir minha canela. Olhei para baixo e me deparei com a bola laranja surrada. Me abaixei, pegando-a nas mãos, vendo meu plano de sair de fininho ir por bola de basquete abaixo. Que dedo duro. O rapaz já teria me notado a essa hora, não custava nada ficar mais um pouco, afinal. Com um suspiro, caminhei até onde o garoto estava, parando a alguns metros dele e lhe lançando a bola na altura do peito.

Bonito arremesso. — Comentei, usando a língua inglesa para tal, referindo-me ao que eu tinha visto assim que adentrei ali. Tirei os fones e os deixei pendurados na gola “V” da blusa que usava, parando um minuto para analisar o moço. Ele era bonito. Bem bonito. Tinha cabelos castanho claro, porte atlético, alto, deveria ter minha idade ou mais, possuía um pequeno vinco na testa de preocupação, mas os lábios finos denunciavam que havia gentileza ali na sombra de um sorriso. Era só uma sombra. E tinha os olhos, claro. Pequenos e azuis. Eu era uma analista de primeira, gostava de pegar até os mínimos detalhes de uma feição e isso me fazia encarar as pessoas por mais tempo do que eu desejava. Ao perceber isso, desviei o olhar rapidamente para a cesta, indicando-a com a mão.

Continue, por favor. Espero que não se importe se eu te observar por algum tempo. Juro que não vou te fazer mal. — Ergui as mãos acima da cabeça em forma de rendição, abrindo um sorriso de canto suficiente para salientar a covinha naquele lado. — Eu só quero passar algum tempo em algum lugar que não me lembre que estou em uma prisão, mesmo que isso seja quase impossível. — Dei de ombros, cruzando os braços sobre o peito, me afastando para sentar no degrau mais baixo da arquibancada. — Por favor, continue. — Era um pedido sincero. Eu amava qualquer tipo de esporte e, por não praticar todos, observar era a segunda melhor coisa a se fazer. E observa-lo não parecia algo ruim.
923 palavras, com desconhecido.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Qua Jul 29, 2015 3:30 pm




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Eu não sabia quando havia sido a última vez em que minha mente havia me permitido focar em qualquer outra coisa que não fossem os dramas da minha vida, mas naquele momento foi exatamente o que aconteceu. Precisou de alguns minutos, mas logo tudo no que eu pensava era na bola, na cesta, meus movimentos e o barulho da borracha a cada mero impacto contra o chão. Meus tênis cantavam contra o solo fazendo um barulho estridente engraçado e por um momento desejei que eu tivesse alguém para poder participar de uma boa partida do bom e velho basquete. Exercícios físicos eram um pesadelo para os preguiçosos, mas um sonho para os perturbados, e eu não sabia exatamente em qual das duas categorias eu mais me encaixava ultimamente.

Eu pensei que estava sozinho e por uma fração de tempo, me senti ok com isso. Eu não costumava ser um cara que apreciava a solidão, mas desde que havia chegado na Oblivion, ter um tempo para mim era como uma dádiva divina. Os Sentry faziam questão de encher nosso saco a todo segundo e qualquer minuto para respirar era demais. Eu tinha belas cicatrizes de guerra oriundas de aventuras pelos corredores frígidos daquele prédio e eu sabia que carregaria todas as lembranças comigo quando desse o fora dali. E eu iria. Aquela era a minha única certeza.

Meus olhos perderam foco da tabela quando - logo depois de enterrar a bola na cesta com um belo salto - o objeto voou para longe, quicando até o outro lado do salão. Minha respiração estava um pouco alterada e eu sentia meu corpo quente por conta dos exercícios, mas me atrevi a virar e procurar pela bola que havia fugido de mim com tanta persistência. O que encontrei ao fitar o chão foram pés. Meus olhos contornaram o desenho dos pés que logo deram espaço para canelas, coxas, uma bela cintura, até que eu finalmente encontrasse o rosto da garota que tinha o objeto esférico e laranja em suas mãos. Ela parecia me observar e resolvi tomar o primeiro contato para fazer o mesmo, principalmente porque ela era mais atraente do que um dia pensei encontrar por ali.

Seus cabelos tinham uma cor castanha clara, sendo lisos e caindo volumosos por suas costas finas por conta do corpo magro. Seus olhos eram de um tom azulado, mais escuros do que os meus, mas que chamavam atenção absurda para seu rosto delicado, com traços finos quebrados totalmente por suas sobrancelhas espessas. A menina que havia se aproximado não era o tipo de garota com uma beleza que eu consideraria clássica, ela era bonita de um jeito diferente. Ergui uma sobrancelha quando ela finalmente desgrudou os olhos de mim, quebrando nosso momento de análise, e consequentemente o silêncio um tanto constrangedor que se alastrava.

-Obrigado.

Agradeci ao seu elogio em relação ao lance que eu havia feito. Parei por um momento me perguntando se eu deveria elogiar alguma coisa para ser cordial, mas interrompi minha mente assim que percebi que o gesto seria no mínimo bizarro. O que eu poderia dizer? "Belo rosto", "Gostei das suas sobrancelhas", "Seus olhos tem um azul bonito"? Eu não queria causar uma primeira impressão ruim com ela, logo não queria parecer um completo psicopata. Ergui as mãos pegando pela bola que ela lançou e então apertei o objeto contra os dedos, abrindo um sorriso de canto com o que escutei-a dizer em seguida. Ela ia me assistir? Nada pressionante, imagine.

-Pode assistir, mas te garanto que não posso oferecer um bom show. Não me considero um ás do basquete, ou um Michael Jordan. Talvez eu esteja mais para um Jermaine O'Neal. -Brinquei, abrindo um sorriso sarcástico, soltando uma risada divertida em seguida. Franzi a testa observando a menina se sentar contra os degraus da arquibancada e me observar ao longe, como havia dito que ia fazer. Olhei para a bola em minhas mãos, seguindo o olhar para ela imediatamente. -Acho que todos nós queremos isso, para ser sincero. -Dei de ombros ao seu comentário em relação a Oblivion, voltando a fitar a cesta. -Mas não quer dizer que não possa jogar uma partidinha comigo. A não ser que não seja dos esportes. Se for assim, entendo completamente.

Novamente dei um pulo, lançando a bola que bateu contra o aro e quicou para fora, formando uma careta imediata em meu rosto em desdém. Eu era absolutamente ninguém sob pressão, principalmente quando garotas assistiam. Eu me lembrava bem em como costumava jogar mal em toda aula de educação física na escola da Polônia quando as aulas eram mistas, principalmente se Möa estivesse presente em uma delas. Era ridículo, mas uma característica minha que mesmo trabalhando nunca fui capaz de perder. Caminhei até a bola que quicava sozinha contra o cimento e olhei para a menina em expectativa, erguendo-lhe uma sobrancelha em tom de dúvida.

-Mas se você por acaso for fã de esportes, eu peço "pelo amor de Deus" por uma companhia. Você tem razão: Ficar na Oblivion é péssimo e às vezes tentamos nos esquecer. Porém quando estamos sozinhos, jogando um jogo de basquete solitário e péssimo em especial, você se lembra mais do que nunca que está no inferno.

Sorri de canto, quicando a bola mais algumas vezes contra o chão e olhando para a minha mais nova companheira. Eu não queria criar laços ou fazer mais amizades ali do que eu já havia feito, mas ela parecia legal e um jogo amistoso com certeza não nos mataria. Parei a bola por um segundo ao me lembrar de um detalhe importante e a prendi sob o braço esquerdo, caminhando calmamente em direção à morena, abrindo meu melhor sorriso simpático, junto com a mão que a estendi em cumprimento.

-Aliás, me chamo Mikka.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Ayra Wlodzrek Ziemowit em Qua Jul 29, 2015 11:12 pm


Que sorte a minha inicialmente ele não ter encrencado por eu tê-lo atrapalhado. Por mais que meu convívio com os outros detentos fosse quase nulo e eu não pudesse julgar como era a maior parte dos presos em Oblivion, eu achava que a maioria seria carrancuda e caçadores de confusão. Bem, o rapaz estava longe de ser algo do tipo. Ele explicava que não ia dar um belo show, citando nomes que eu me lembrava vagamente de ter ouvido, mas não eram claros para mim. O rapaz falava inglês com um sotaque carregado que não pude decifrar e eu o entendia bem, mas enquanto ele citava os nomes era como se estivesse falando outra língua. Abanei a mão, estalando a língua em negação uma vez. — Eu não faço ideia do que está falando, apenas jogue e finja que não estou aqui. — Claro, claro, Ayra, isso é realmente muito fácil de se fazer! Ser observado por um estranho. Será que eu era uma das poucas que se incomodava menos com ser observada? Isso vinha, claro, das competições onde eu era sempre estudada. Parecia até mesmo que estava sendo preparada para Oblivion. Um arrepio correu minha espinha. Não, eu não podia comparar minha paixão com meu inferno.

Ao que ele disse sobre “jogar uma partidinha” juntos, não pude deixar de sorrir timidamente, mostrando apenas parte dos dentes. Me preparei para retruca-lo, mas seus passos em direção à cesta me calou. Era de meu conhecimento que atletas precisavam se concentrar para fazer o “lance final”. Não adiantou meu silêncio. Ele errou a tabela. Sua expressão não foi das melhores, o que me fez perceber que o loiro era uma pessoa competitiva que não curtia muito errar. — Erros é o que nos mantem humanos. — Falei baixinho, mais para mim do que para ele, não intencionando que o rapaz realmente me ouvisse. Nem todo mundo gostava de ser contrariado e esse tipo de citação poderia deixa-lo um pouco mais nervoso. Mesmo que não parecesse o estilo do loiro, eu não deveria arriscar.

Sua citação seguinte sobre jogar sozinho me apertou um pouco o coração. Eu sabia como era sentir a solidão. Nunca fui para a solitária, estava sempre cercada dos outros detentos, mas pouco conversava com eles por simplesmente me sentir mais segura assim. Só não posso negar que sentia falta de convívio com outras pessoas. As coisas estavam começando a mudar desde o dia anterior. O “jogador de basquete” era a segunda pessoa que encontrei que parecia ser confiável o suficiente para sair um pouco da minha solitária. — Não me entenda mal, eu amo esportes no geral, mas basquete realmente não é minha praia. — Fiz uma ligeira careta, respondendo-o. Abracei as pernas contra meu corpo, escorando o queixo nos joelhos.

A aproximação do garoto deixou-me um tanto acuada. Ele tinha um sorriso amigável nos lábios, mas eu aprendi a ser naturalmente desconfiada com estranhos. Eu nem mesmo sabia seu... — Mikka. — Ele se apresentou, cortando minha linha de pensamento. Comprimi meus lábios um contra o outro, analisando sua mão estendida por um instante. Entortei a boca, erguendo os olhos elétricos para fita-lo. — Se eu apertar sua mão, posso morrer? — Indaguei de forma brincalhona e inocente, abrindo um sorriso de canto. — Apenas brincando. — Concluí. Eu sempre tinha que fazer essa brincadeira boba? Mesmo brincando, eu precisava de fazer o que sempre fazia quando tinha contato com outros detentos. Era fácil canalizar energia naquela quadra cheia de metal, trazendo-a para mim como um ímã, criando ao redor de minha mão uma luva transparente de magnetismo impedindo que minha mão entrasse, de fato, em contato com a dele. Mikka poderia sentir cócegas, mas ele não precisava saber o motivo. — Seu nome parece indígena. — Soltei uma risada, mordendo meu lábio para contê-la quando percebi o que tinha dito. — Desculpa, não pude conter. Meu nome também é meio... Sei lá. — Ergui os ombros. — Ayra. — Apresentei-me, finalmente soltando sua mão.

Pus-me de pé em um pulo, puxando os braços para frente, me alongando. — Me permite? — Pedi educadamente, indicando a bola sob o braço dele com minha mão. Esperei que Mikka me entregasse, sentindo seu peso em minhas mãos. Quantas vezes Bran já não tinha tentado me instruir com futebol, que era uma das suas grandes paixões? Eu até tinha alguma habilidade, mas minha área mesmo eram os cavalos. Um suspiro pesado saiu de meus lábios entreabertos. Não, Ayra, não pense! Ordenei a mim mesma, tentando tirar aquelas lembranças felizes da minha mente. Quiquei a bola contra o chão. Apesar de pesada, a bola laranja podia se impulsionar de forma espetacular. Dei alguns passos controlando a bola com a mão esquerda, parando na boca do garrafão – sim, eu conhecia o basquete, apenas não sabia jogar –, segurei a bola entre minhas mãos na altura do peito, impulsionei meu corpo para um pulo com os dois pés ao mesmo tempo que a lançava contra a tabela. A bola quicou e rodopiou no aro, mas não caiu. Olhei para o lado de Mikka, abanando a cabeça negativamente e estampando um sorriso largo. Peguei a bola uma vez mais, lançando-a para o loiro. — Como pode ver, sou uma negação. Meu esporte é outro, mas insisto que sou uma ótima, excelente, telespectadora. — Disse, mantendo o sorriso e abrindo espaço para que ele fizesse sua jogada, se assim quisesse. Absolutamente, como jogadora de basquete eu era uma ótima cavaleira.
892 palavras, com Mikka.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Qua Jul 29, 2015 11:40 pm




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A sinceridade da menina foi quase louvável e isso fez com que eu desse risada, me divertindo completamente com a situação. É claro. Eu ainda tinha a esperança que iria encontrar um dia uma pessoa naquele lugar que pudesse de fato ter algum tópico em comum comigo, que pudesse se transformar em uma potencial conversa que durasse um pouco mais do que cinco minutos e tratasse de algo que não fosse um clima ou os delitos que havíamos cometido para estar onde estávamos. Aquilo estava ficando simplesmente batido demais. Porém eu também não podia sair por aí assumindo que as pessoas entendiam de basquete o suficiente para dizer a real diferença entre Michael Jordan e Jermaine O'Neal. Para quem era fã do esporte, a diferença é clara como cristal, mas para quem não é, é como diferenciar preto de petróleo.

-Tem razão, me desculpe. -Dei risada, ainda quicando a bola contra o solo de forma descontraída. -Eu quis dizer que não sou bom. E tentei fazer uma piada. Que não funcionou. Porque você não entende sobre basquete. -Parei por um momento, não resistindo em fazer uma careta. -Mas se quiser dar risada para ser cordial, eu aceitarei o gesto numa boa. Na verdade eu iria adorar.

Comentei novamente em tom brincalhão, observando a menina em total diversão. Ergui uma sobrancelha quando escutei seu comentário sobre basquete não ser um esporte do qual era realmente gostava e não resisti em forçar uma careta de total decepção em minha face. Não hesitei em bufar, fazendo com que alguns fios da minha franja voassem e bati os pés, como uma criança em meio a uma birra faria, apenas pelo poder de finalmente me sentir confortável para fazer piadas com alguém. Eu era uma máquina ambulante de sarcasmo e piadinhas sem graça e estava prestes a explodir em inutilidade. Era uma pena que aquela garota houvesse se tornado meu alvo para alívio.

-Então eu aprendi a jogar o jogo errado, droga! Juro que quem me incentivou a aprender basquete jurou que o esporte me ajudaria a atrair meninas bonitas.

Brinquei, sorrindo de canto, mas imediatamente me arrependendo do comentário. A garota já parecia tímida demais perto de mim e eu não queria dizer nada que fosse a deixar ainda mais retraída. Percebi ainda mais sua cautela quando tentei me aproximar para fazer minha apresentação. Eu poderia ter ficado ofendido quando ela se encolheu contra os degraus como se eu fosse capaz de lhe fazer algum mal ou coisa do tipo. Quando ela fez uma piada sobre eu não poder matá-la com o toque - algo que seria totalmente plausível em qualquer outra situação - só então caiu a ficha em mim de que talvez o estúpido naquela história inteira fosse eu. Ela não estava sendo cautelosa demais, eu estava sendo de menos. O pior é que a menina tinha toda a razão, qualquer pessoa poderia me matar facilmente apenas com aquele deslize, por mais que eu realmente achasse que ninguém tivesse um motivo sólido para tal ato, a não ser a vontade maluca de matar - outra coisa também totalmente plausível em qualquer outra situação. Abri um sorriso sem graça, coçando a nuca em tom sem graça.

-Eu já disse que sou solitário, não faria sentido matar minha única companhia. -Dei de ombros, soltando uma risadinha brincalhona. -Mas não quer dizer que eu não faria. Eu sou extremamente poderoso e perigoso e você deveria estar apavorada só de olhar para mim. -Franzi a testa, parando por um momento e analisando minhas próprias palavras. Virei de lado para a garota, tensionando os músculos do meu braço e fazendo minha melhor expressão carrancuda possível. Mordi o lábio, fazendo meu melhor para não rir da ridiculosidade da cena. -Eu sou uma figura assustadora e ameaçadora, vamos lá. Seja sincera.

Depois de finalmente desistir de dar uma de palhaço, voltei a erguer a mão para ela, recuando assim que nossas peles se tocaram. Abanei a mão por conta da pequena sensação de choque que mais me surpreendeu do que realmente feriu. A olhei em tom alarmado, me perguntando se ela havia feito de propósito, mas sua face demonstrava total inocência. Provavelmente havia sido um daqueles choques que ocorria normalmente quando tocávamos um lugar magnetizado. Abri um sorriso sem graça, abanando a mão.

-Ops. Você acabou de me dar um choque. -Comentei em tom bem humorado, torcendo o nariz ao ouvir o seu comentário sobre meu nome. Não resisti em dar risada. -Mikael é polonês, Mikka é apenas para encurtar. Sou de lá, caso não tenha notado meu inglês carregado por uma suruba de sotaques britânicos e poloneses. E diga-se de passagem: Ayra é muito mais estranho do que Mikka. E mais bonito, sejamos sinceros.

Abri um sorriso, observando Ayra com os olhos brilhantes conforme ela finalmente se colocava de pé e pedia pela bola. Não hesitei em jogar o objeto, cuidadosamente, em sua direção e então a observei ao longe, conforme olhava para a tabela e parecia mirar. A postura de Ayra não era ruim, ela parecia estar mirando no local certo e quando pulou eu realmente pensei que ela fosse acertar a cesta. Talvez eu estivesse focado demais nas curvas do seu corpo para perceber qualquer falha técnica em seus movimentos, mas quando a bola bateu contra o aro e caiu ao chão, eu me surpreendi também. Abri um sorriso de canto e balancei a cabeça negativamente conforme Ayra caminhava até o objeto e o lançava de volta para mim, pairando entre meus dedos. Observei a bola contra minha mão e voltei a olhar para a cesta, deixando minha atenção cair por último sobre a garota.

-Vamos lá, você nem tentou. -Comentei em tom animado, soltando uma risada simpática. -Bem, isso se estiver tentando fazer com que eu me sinta bem, nesse caso você é uma péssima atriz. -Brinquei, parando de frente para a tabela em uma distância do garrafão para que minha cesta valesse três pontos. Olhei novamente para a "loira", mordendo o lábio. -Eu poderia dizer que não é muito difícil e te dar algumas aulas, passar algumas técnicas. Poderia pagar de fodão, te mostrar como se joga e provavelmente assim jogar basquete atrairia mulheres bonitas. Mas vou te contar um segredo: Minhas cestas são todas por sorte. -Sussurrei a última parte, dando de ombros em seguida. O sorriso largo não conseguia deixar meu rosto. -Ainda assim eu não desisto. -Dei de ombros, erguendo as mãos e pulando, lançando a bola que entrou - por sorte - dentro da cesta, caindo em direção ao chão. Olhei para Ayra em tom orgulhoso, novamente sorrindo abertamente. -Acho que é isso o que há sobre mim: Não importa o quão bosta eu seja, eu nunca desisto. Acho que depois de um tempo eu até passo a ser bom. -Comentei, pegando novamente a bola entre meus dedos, passando para ela. -E eu só não fiz um discurso de campeão porque se eu tivesse errado essa cesta, como não aconteceu... -Tossi em tom exibido, puramente em brincadeira. -Eu teria passado uma vergonha do caramba e tido que me explicar um bocado. Sua vez.

Cruzei os braços, novamente a observando. E por um momento éramos apenas Ayra, eu e o basquete.

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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Ayra Wlodzrek Ziemowit em Qui Jul 30, 2015 12:51 am


Mikka é diferente. Não sei, é como se ele esquecesse que estamos em uma prisão, o que era bom. Era exatamente o que eu queria, certo? Ele fazia piadas, caras e bocas, daria um excelente ator se quisesse seguir essa carreira. Infelizmente, a única carreira que tínhamos a seguir era mofar naquela prisão. Pelo menos até segunda ordem. Eu não precisava pensar nisso agora. Toda minha concentração podia facilmente ser encontrada naquele garoto de sorriso fácil, olhos brilhantes, jeito infantil e descontraído. Quantas pessoas assim eu já tinha encontrado na minha vida, quer seja dentro ou fora de Oblivion? Podia contar nos dedos, absolutamente. Assenti uma vez quando ele disse que era assustador, mais por delicadeza do que por realmente concordar. Ao comentário do choque, mantive-me em silêncio absoluto. Ele não precisava saber o que eu podia fazer, talvez eu pudesse trapacear no jogo, caso chegássemos a um. Claro que é brincadeira. Eu havia sido criada em uma família onde honestidade era e ainda é uma das melhores qualidades, repassada de geração em geração. Agradecia todos os dias pela educação que tinha ganhado do sr. e sra. Ziemowit.

Então o nome verdadeiro dele era Mikael e Mikka era apenas um apelido. Engraçado, eu não tive muitos apelidos. Mesmo na infância e adolescência, eu era apenas Ayra ou Ay, ou fada, como meus melhores amigos gostavam de me chamar. Diziam que eu tinha uma semelhança de caráter com uma fadinha famosa do mundo da Disney. Eu nunca contestei, fadas eram tão intrigantes quanto perigosas. Talvez eu quisesse ser um pouco dessas duas coisas. Guardei esse pensamento para mim. Era o tipo de informação irrelevante sobre mim.

Fiquei a observar o garoto enquanto este fazia seus movimentos para acertar a cesta com a bola gigante e laranja. Revirei os olhos involuntariamente quanto comentou que eu seria uma péssima atriz. Eu sabia disso. Sempre fui péssima mentirosa. Minha mãe só precisava de um olhar para saber se eu estava mentindo ou não. Abanei a cabeça mais em incredulidade do que por qualquer outra coisa. — Não sei mentir, por isso daria uma péssima atriz. Quando somos bons demais em analisar pessoas, acabamos por nos denunciar na mentira de forma muito frágil. — Comentei, me atentando apenas nos movimentos que Mikka fazia. Era suave, parecidos com os jogadores que eu costumava ver na tevê. Ele tinha jeito para a coisa, além de ser alto suficiente para fazer um bom arremesso à distância.

Se as cestas dele eram todas por sorte, eu nunca saberia, mas outra vez um belo arremesso foi feito direto da linha dos três – ou tridimensional, como meu pai gostava de dizer – e a bola acariciou o aro antes de ser enterrada pela gravidade. Fiz outra careta, franzindo os lábios ao ouvir a palavra “bosta”. Eu não gostava quando as pessoas se subestimavam dessa forma. A careta não durou muito ao notar que a expressão usada pelo loiro era apenas para comentar sobre sua determinação. É, absolutamente, um ponto positivo. Principalmente para quem estava nas condições em que nos encontrávamos. E qual é o problema de esquecer que estou em uma prisão? Meu subconsciente me alertava que eu precisava relaxar mais. Sorri com o canto esquerdo dos lábios enquanto ele concluía seu discurso de campeão, como o mesmo havia citado. — Seria, no mínimo, engraçado te ouvir com palavras tão motivadoras e sua cesta de três pontos não entrar. Quem sabe da próxima eu não tenho esse prazer? — Pisquei para ele, segurando a bola com a ponta dos dedos. Olhei da esfera laranja para a cesta e da cesta para Mikael.

Franzi ligeiramente o nariz e mordi o lábio, suspirando. Voltei a encarar o aro, fazendo pequenos cálculos em minha mente. Meus irmãos costumavam jogar em uma quadra pequena na fazenda apenas para passar o tempo e eventualmente eu parava para observa-los. Às vezes até jogava com eles. Era tão divertido. Meu pai e eu contra os gêmeos. Nós não ganhávamos, claro, meus irmãos tinham talento com as esferas, mas o jogo valia a pena só pela quantidade de sorrisos que arrancávamos uns dos outros. Sorri sozinha com essa lembrança. Minha única preocupação na época era ser eu mesma, nada de planos macabros e evoluções de poderes para poder sair de uma prisão. Eu ainda voltaria a ter essas pequenas preocupações, era só questão de tempo.

Tem certeza que quer me fazer continuar passando vergonha? — Indaguei, indicando a bola e o aro acima com minha cabeça. Segurei a bola sob o braço direito e apontei meu próprio corpo com o esquerdo. — Analise bem meu tamanho e meu porte. Eu sou muito pequena para o basquete, sejamos verídicos aqui. E meus músculos foram formados com outro esporte, não esse. — Tentei me defender, mas o garoto loiro parecia convicto de que eu conseguiria. Mordi a parte interna da bochecha suavemente, batendo a bola contra o solo. Vamos lá, tá vendo aquele quadradinho pequeno da tabela? Então, mire e arremesse. Use a mão direita como apoio e a esquerda para direcionar a bola. Sei que você é ambidestra, maninha, e tem mais força na canhota. Agora, atire! Por um minuto eu fechei meus olhos. Era como se pudesse ouvir Johann falar enquanto segurava minha mão e me guiava para o arremesso. Quando abri os olhos, estava à esquerda do garrafão mais em diagonal do que de frente para o aro. Sem demora, ajeitei a bola nas mãos e arremessei, mirando a tabela. Mordi o lábio enquanto a bola fazia sua curva da gravidade, batia na tabela e caía dentro da cesta.

Meu rosto se iluminou em um sorriso largo e satisfeito. Virei o rosto para Mikka e o fitei com os olhos arregalados. Estava estupefata. — Você... Você viu isso? VIU ISSO? — Soltei uma gargalhada, me divertindo com minha conquista. Ergui as mãos acima da cabeça com os punhos fechados e requebrei de um lado para o outro, girando em meu próprio eixo, fazendo uma dança de comemoração sem música nenhuma. Novamente fechei os olhos, segurando o pingente de cavalo entre os dedos. — Obrigada, irmãozinho. — Sussurrei baixinho, como uma prece, desejando que tanto minha família quanto Bran estivesse ali para ver que eu havia conseguido encestar uma bola na segunda tentativa.

Por um instante eu havia me esquecido que estava acompanhada. Levei um susto quando me lembrei de Mikka. Ele deveria estar me achando uma louca... — Ops. — Tampei a boca com os três dedos maiores da mão direita, erguendo os ombros como quem diz “foi mal”, deixando um tímido sorriso estampar minha face. Mesmo longe das pessoas que mais amo no mundo, ali estava a sensação de não estar presa.
1001 palavras, com Mikka.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Qui Jul 30, 2015 1:22 am




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Sorrisos e risadas era tudo ao que se limitava o momento que eu passava com Ayra. Acabou que ela era uma menina divertida e a partir do momento em que ela passou a realmente se soltar comigo, me senti relaxado e bem o suficiente para sequer me esquecer de onde eu estava no momento. Ela era legal. Eu havia conhecido um punhado de pessoas bacanas desde o momento em que havia pisado na Oblivion - surpreendentemente - mas por alguma razão Ayra foi a única com quem me senti confortável o suficiente para agir como eu mesmo. Talvez eu tivesse a conhecido em um momento mais tardio, ou seja, eu já estava conformado o suficiente de onde eu estava, ou talvez ela simplesmente me lembrava um pouco de como as coisas costumavam ser com Möa na Polônia antes de todos os problemas começarem. Coisa que me despertou certa curiosidade.

-O seu sotaque é estranho, mas você não é de Paris, muito menos uma nativa da língua inglesa. -Comentei intrigado, olhando para a menina de longos cabelos claros. -De que país você veio?

Perguntei finalmente a questão que não queria calar. Eu poderia estar redondamente errado e Ayra ser uma americana ou inglesa totalmente ofendida com meu comentário, mas resolvi arriscar mesmo assim. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que se irritava facilmente e eu queria saber um pouco mais sobre ela, além do seu nome, que por sinal era outra indicação de que ela não vinha nem da França ou qualquer país como Inglaterra, Irlanda etc. Eu achava seu sotaque um tanto familiar, na verdade, mas talvez fosse por conta de eu ter encontrado todos os tipos deles naquele lugar. Talvez ela fosse da Alemanha, Groenlândia ou qualquer outro país diferente que havia conhecido pessoas nativas. Talvez fosse de lá que eu reconhecesse o seu jeito diferente de falar.

Não posso dizer que não me senti sensibilizado quando Ayra reclamou do seu tamanho e desde ser um problema para exercer suas habilidades no basquete. Eu quis dar risada com ela - coisa que eu até fiz um pouco - mas me limitei em apenas fazer silêncio e observar com um sorriso idiota enquanto ela se preparava para tentar uma nova cesta. Perseverança, era aquilo o que eu prezava tanto. Eu sabia que se ela passasse horas por dia ali treinando - como eu idiotamente fazia - ela conseguiria ser tão boa quanto Michael Jordan. Talvez nem tanto, mas não interessava. Soltei uma risada baixa com meus pensamentos e rezei para que ela não tivesse a escutado, com medo de ela pensar que eu era um lunático ou coisa do tipo. Eu era um mutante, mas lunático e com poderes já me parecia algo fora da curva demais.

-Vamos, altura não é um problema. Existem cadeirantes que dariam um banho na gente no basquete.

Comentei dando de ombros, a observando em incentivo conforme ela se posicionava na frente da tabela e então mirava, dando um pulo e arremessando a boa que voou cuidadosamente até a cesta. Por um momento eu pensei que ela fosse errar, mas o tiro quebrou totalmente minhas expectativas, empurrando a bola de uma só vez para dentro do aro. Ergui as mãos em comemoração e soltei um chiado, um barulho estranho com a boca que simulava o gritar de uma platéia. Dei risada em seguida em animação, ainda erguendo os braços como uma maldita líder de torcida. Não pude deixar de achar cômico meu pensamento, por mais que eu não tivesse pensado em um comentário para fazer a piada para Ayra também. Tive que me contentar com a frase que saiu de minha boca em tom totalmente impressionado:

-Wow! Boa! Foi uma cesta e tanto para uma baixinha. -Brinquei, erguendo a mão para que ela batesse. Olhei para a tabela em realce e a bola que quicava, novamente voltando às mãos de Ayra quando tive a ideia que me atingiu como uma flecha. Um sorriso travesso se abriu em meu rosto e olhei para a menina de canto de olho. Eu não sabia se eu apanharia pelo meu ato ou se seria correspondido por um entrar na brincadeira, mas resolvi arriscar. Eu nunca pensava no que eu fazia mesmo. Não era hora para começar com isso. -O que me diz de, de fato, enterrar a bola na cesta pela primeira vez na sua vida?

A olhei em tom animado, fazendo um gesto para que ela se aproximasse e rezando para que Ayra não usasse seus poderes em mim ao pensar que eu estava a agredindo ou coisa do tipo. Rapidamente a puxei em meus braços e então a impulsionei, deixando apenas minha risada sonora ser escutada enquanto eu a colocava contra os meus ombros, sentada ali de forma com que a sua altura, agora somada a minha, fosse basicamente - ou quase isso - a mesma da tabela. Olhei para cima, segurando as pernas da menina em prol de ela não cair. Abri um sorriso largo, tentando ler sua expressão.

-Acha que consegue quicar a bola sem acertar a minha cabeça? E quando enterrar tente fazer uma cara de vitória ou então tente fingir que deu um pulo do caralho ao fazer isso, como fazem os jogadores de NBA. Não desperdice sua chance de ser um deles.

Falei em tom brincalhão, fazendo o possível para não ter a cabeça acertada quando Ayra jogava a bola contra o solo. Passei a me movimentar com ela em meus ombros, correndo pela a quadra como um jogador faria ao desviar dos adversários que queriam pegar a bola, fazendo o possível para manter a garota o mais firme possível em meus ombros.

-E Ayra passa pelo time adversário, dribla três jogadores seguidos, entra no garrafão! A multidão vai à loucura! -Narrei o jogo em animação, finalmente me aproximando da cesta. Girei o corpo fazendo com que os dois déssemos uma volta em nossos eixos - lentamente o suficiente para que ela não caísse - e então entrei finalmente no garrafão, continuando com meu papel de pernas e locutor. -Ninguém acredita que esse ponto possa realmente ser feito! É uma cesta difícil e improvável, mas lá vem ela! Desvia de mais um e pula pronta para fazer o lance! Será que vai conseguir?

Caminhei rapidamente em direção à tabela e então olhei para cima, em esperança que ela pudesse enterrar a bola, tocando o aro da cesta como os melhores jogadores faziam. Dei risada, fazendo uma careta e o possível para não ser atingido pelo objeto laranja. Assim que o objeto passou pela cesta, novamente fiz o som chiado que simulava a torcida, girando em meu eixo três vezes, ainda com a menina em meus ombros. Dei risada, sentindo meu abdômen doer por conta disso e então segurei-a pela cintura, a puxando dos meus ombros e a voltando novamente para o chão, ainda com um sorriso divertido estampado em meu rosto. Ela provavelmente pensava que eu era um idiota com os dentes a mostra, mas eu não ligava. Havia tempos em que eu não me divertia daquela forma. Novamente ergui a mão para que ela batesse e ergui ambos os braços com os punhos fechados, como se comemorasse uma vitória. Apoiei as mãos contra os joelhos, fingindo estar realmente cansado.

-Uau, essa foi difícil, mas fizemos o ponto impossível. E Ayra conseguiu! -Completei a narração, rindo novamente em seguida. -Acho que fazemos uma boa dupla. Você as mãos, eu as pernas.

Brinquei, caminhando até o outro da quadra em prol de alcançar a bola novamente. A prendi mais uma vez sob o braço direito e parei de frente para a menina, erguendo uma sobrancelha.

-E eu disse que nada era impossível. Você, moça, acabou de enterrar uma bola em uma cesta de... Quantos metros deve ter isso? -Perguntei curioso, olhando distraidamente para a tabela. -Não importa. Mas eles disseram que era impossível. Você conseguiu.

Comentei por fim, a observando em tom brincalhão, mais uma vez passando a bola para as suas mãos e desejando que talvez basquete pudesse se tornar, no mínimo, um jogo divertido para ela.

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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Ayra Wlodzrek Ziemowit em Sab Ago 01, 2015 5:48 pm


De que país eu venho? Hm, essa é uma pergunta interessante, no mínimo, que poderia ter duas respostas, pois morei em dois países completamente diferentes. Me orgulho de ambos lugares onde vivi, por isso a resposta era simples. — Eu sei que tenho um sotaque engraçado. É por ser a mistura de três línguas. — Falei ainda em inglês, tendo uma ideia repentina que o garoto poderia não gostar muito. — Jag föddes i Stockholm och bodde där i tio år. [Eu nasci em Estocolmo e vivi por lá dez anos]. — Respondi em sueco. — Mas o último lugar onde morei foi o Brasil, mais precisamente no pantanal, e é provável que você não tenha entendido nada do que falei agora. — Terminei, falando em português claro e limpo. Tive que morder o lábio inferior para conter uma risada escapar. — A primeira sentença é: nasci na Suécia e vivi lá os primeiros dez anos da minha vida. E a segunda é: o último lugar que morei foi o pantanal, no Brasil. É de lá que eu venho. Sou uma sueco-brasileira com muito orgulho e falo três línguas, contando o inglês. — Voltei a falar em inglês, respondendo à pergunta do rapaz finalmente, depois de brincar um pouco, é claro.

O fato de ter feito a dança maluca pareceu não incomodar Mikka. Na verdade, ele estava claramente rindo de mim. Ou comigo. Tanto faz. Estávamos rindo. Isso é, com certeza, algo bom. Poderíamos estar rindo em algum lugar fora dali, mas, como não tínhamos opção, era bom aproveitar um minuto de diversão com um quase estranho. Franzi o cenho em confusão com a pergunta do loiro. Coloquei as mãos na cintura, pendendo a cabeça para um lado e fazendo uma expressão de puro sarcasmo. — Enterrar, literalmente, essa bola laranja ali? Meu caro, eu posso não ser ÁS do basquete, mas eu sei que minha condição física me impossibilita esse ato. — Minha condição mental, ao contrário, poderia facilmente fazer isso. Em um dos meus estudos e graças às aulas de física, química e biologia, descobri que eu poderia levitar meu próprio corpo se conseguisse repelir os metais abaixo de mim, metais estes que me mantinham no chão com a força da gravidade. Mas, duas coisas me impediam de fazer isso. 1) O remedinho do demônio que anulava parte dos nossos poderes em Oblivion; 2) Eu não queria que Mikka soubesse o que eu posso fazer. Pelo menos não agora.

O loiro pediu para que eu me aproximasse. Eu não sou a melhor das pessoas com contato físico dentro da prisão, receava o tempo todo que alguém pudesse sugar meus poderes ou sugar minha vitalidade com apenas um toque. Por esse motivo, evitava contato direto. Mas, ele tinha pedido apenas para que eu me aproximasse, certo? Desmanchei minha postura defensiva e dei alguns passos na direção do menino. Não tive muito tempo para pensar quando ele, repentinamente, me segurou e me ergueu – como se eu não pesasse uma grama sequer – para sentar nos ombros dele. — HEY! — Protestei, cerrando os dentes quando uma pontada de raiva me passou pelos nervos. — O que você pensa que está fazendo? — Continuava, nervosa. Senti o toque das mãos dele em minhas pernas, mantendo-me “segura” em seus ombros. Espera, eu estou respirando. Suspirei, apenas para garantir que o ar ainda circulava meus pulmões. Minha visão ainda estava igual, assim como o tato – estava apoiando minhas mãos na cabeça de Mikka –, balancei ligeiramente as pernas, mexendo as pontas dos dedos dentro das botas. Todos os meus sentidos ainda estavam funcionando, então sugar minha vitalidade ele não era capaz. Virei a palma da minha mão para mim, desejando que uma pequena força estática corresse pelos meus dedos e formassem meu tão amado campo magnético transparente. Meu poder também estava okay. Respirei aliviada e até me permiti um sorriso maroto com a outra pergunta dele.

Conseguir eu consigo, agora querer é outra coisa... Essa bola pesada pode fazer um belo estrago e eu só não lanço ela na sua cabeça agora porque vamos os dois cair se eu fizer isso. E quero me manter longe da enfermaria. — Respondi em um tom ligeiramente amargo. Um dos motivos para me manter longe dos outros detentos era sobrevivência. Eu precisava sobreviver e manter meus poderes para, um dia, sair dali e reencontrar minha família. Se, por algum acaso, eu encontrasse alguém que quisesse me fazer mal seria minha ruína. Mas, pensando bem, se eu não podia me defender ou atacar, tampouco outro mutante poderia fazê-lo. Éramos todos vítimas dos remedinhos “anula poderes”. Ao perceber isso, relaxei, começando a realizar que eu estava, pelo menos, um metro e oitenta mais alta que o normal. — UOU! — Exclamei, quicando a bola laranja com cuidado para não acertar a cabeça do louco que me carregava nos ombros.

Ouvia-o narrar nossa jogada e seguia suas palavras com expressões distintas. Fazia caretas de quem se esforçava muito para driblar os jogadores invisíveis, mas meu real esforço era me manter equilibrada nos ombros dele enquanto quicava a bola contra o solo. Tentei me imaginar em um verdadeiro jogo de basquete, mas tudo o que minha mente assimilou foi a primeira vez que fiz algo parecido. Tinha acabado de fazer onze anos, foi a primeira vez que visitei a casa dos meus vizinhos e conheci Bran. Ele também tinha uma quadra de basquete perto do celeiro e chamou meus irmãos para jogar. Eu fiquei de fora por ser baixinha, mas meu pai me colocou nos ombros, deu-me a bola e desafiou quem fosse para pega-la de mim àquela altura. E enterrei a bola exatamente como fazia agora nos ombros de Mikka, tocando o aro com minhas mãos como se eu tivesse que ficar pendurada neles por conta do salto gigantesco que havia feito.

E a torcida vai à loucura! — Ergui as mãos acima da cabeça, como os vitoriosos faziam, ignorando o perigo quando Mikka começou a girar em seu próprio eixo comigo nos ombros. Poderíamos ter caído, mas tudo o que aconteceu foi uma leve tontura ao sentir meus pés novamente no chão e a sensação única de encostar em um dos metais fisicamente inalcançáveis para mim. Tive que assentir positivamente à sua citação de que nada era impossível. — Já aprendi a lição. Com um pouco de esforço conseguimos tudo, certo? Minha mãe também diz isso. Ela costuma dizer que o suor é o resultado de um trabalho bem executado e que não há sucesso sem esforço. — Poderia ser estranho para qualquer pessoa eu citar meus pais no verbo presente enquanto não sabia o que tinha acontecido com eles. Entretanto alguma coisa me dizia que, se eles não estivessem bem, Oblivion teria o prazer de jogar isso na minha cara e me fazer mais uma marionete sem esperança. Eu nunca deixaria que eles fizessem isso comigo. No desespero, a esperança e a fé são as únicas coisas que nos mantem lúcidos.

Segurei a bola em minha mão por reflexo quando Mikka fez o passe, rolando-a com a ponta dos meus dedos. — Obrigada. — Disse com sinceridade, apontando a cesta com a cabeça. — Por isso e por tentar me fazer sentir melhor, está conseguindo. Apesar de você ser um completo desbirocado. — Um suspiro pesado deixou meus lábios. Eu estava envergonhada por tê-lo tratado como fiz quando ele me pegou de surpresa, mas só havia uma coisa que eu poderia fazer. — E me desculpa por ter sido... Grossa. É só que... — Me interrompi, lembrando-me de Yulia ao dizer que quando pedimos desculpas devemos fazê-lo de todo coração, não importa o motivo. Eu tinha me assustado, mas não havia motivo para o susto. Ergui o olhar para o moço, abrindo um sorriso gentil. — Me desculpa. — Eu só queria deixar meus pais orgulhosos, mesmo que eles não pudessem me ver crescendo agora.

Mas me diga, eu devo pesar quase sessenta quilos e você me levantou como se eu fosse mais leve do que essa bola de basquete. Pelo menos foi assim que me fez parecer. — Bati a bola contra o solo duas vezes antes de passa-la novamente para Mikka. — Super força? — Franzi ligeiramente o nariz com meu palpite sobre o dom que ele tinha. Não podia evitar entrar no assunto quando minha curiosidade falava mais alto.
1363 palavras, com Mikka.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Sab Ago 01, 2015 7:40 pm




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Fazer Ayra sorrir foi o ponto alto do meu dia. Dia não. Semana. Mês, se bobear. As risadas dela foram suficientes para que eu me sentisse feliz, que me sentisse responsável pela sua alegria e isso me trouxe uma nostalgia que foi quase ridícula. Eu queria mais. O sorriso no rosto de Ayra foi uma das coisas mais bonitas que vi desde que cheguei na Oblivion e não era surpresa que eu decidi querer vê-lo todos os dias depois daquele. Há um tempo, quando eu ainda estava fora daquele lugar, fazer as pessoas sorrirem e dar risada era quase uma especialidade minha. Eu gostava de fazer papel de bobo, me divertia em ver as pessoas estando contentes e desde o momento em que Möa e eu fomos separados ao sermos levados à prisão, eu isso havia mudado drasticamente. Por mais que eu odiasse esse fato.

Eu havia me tornado frustrado, impaciente e estressado. Qualquer pequeno detalhe parecia trivial e eu simplesmente não desviava minha atenção para coisas menores como dar risada ou me importar por qualquer um que não fosse a loira. Por um tempo eu agi menos como Mikka e mais como prisioneiros da Oblivion, sentindo medo de que aquela mudança drástica fosse um dia se tornar perpétua. Mas para a minha sorte eu estava errado. Depois que encontrei Möa, depois que me certifiquei que ela estava bem – na medida do possível – eu havia conseguido encontrar espaço para ser mais eu, conseguir ser a pessoa que eu era antes de tudo aquilo acontecer. Eu havia decidido com Möa que quando saíssemos da Oblivion, ela seria um capítulo excluído da nossa mente, um pesadelo do qual sequer iríamos recordar. Esse era o trato e mudar por conta de um pesadelo não estava dentro dos meus planos. Eu nunca deixaria isso acontecer.

A maior dádiva é encontrar a beleza nos piores lugares e o sorriso de Ayra era definitivamente uma delas. Ao contar sobre a citação em relação à sua família, Ayra fez com que eu me lembrasse das citações que os pais de Möa sempre me faziam toda vez que eu ia visita-los, já que dos meus pais coisa alguma de bom um dia saiu. Estremeci ao me lembrar de como era viver com a minha mãe e como era impressionante pensar em como eu havia conseguido curar aquelas cicatrizes tão profundas. Eu não era uma espécie de sequelado com complexo de Édipo e isso era bom o suficiente. Eu havia encontrado a beleza na confusão que sempre foi minha vida, e de acordo com os pais de Möa, eu possuía essa grande dádiva.

Ouvir Ayra falar em várias línguas diferentes fez com que eu sorrisse como um bobo, apenas observando como aquelas palavras desconhecidas ficavam bonitas em sua voz. Até onde eu sabia a garota poderia estar me xingando e eu nunca descobriria, mas eu não ligava. Apenas escutei, me sentindo sinceramente impressionado – por mais que eu falasse mais de uma língua também – e em parte enfeitiçado por como os diferentes sotaques pareciam quase mágicos ao sair de sua boca. Ela me intrigava um pouco, eu só não entendia a razão. Ergui uma sobrancelha, cruzando os braços enquanto ela finalmente me dizia o que havia dito. Assenti, soltando então uma risada divertida.

– Bom, eu não entendi uma palavra do que disse, então vou confiar que sua tradução é verídica e você não acabou de me mandar chupar prego. – Dei de ombros, abrindo um sorriso largo. – Eu acho que podemos nos ajudar afinal. Umas aulas de português, talvez, já que o sabe fluentemente. Quando eu sair daqui, pretendo ir para o Brasil com... Huh... – Parei por um momento, me pegando constrangido em falar sobre Möa. Mas por que? Eu poderia dizer que ela era minha amiga ou então a garota com quem sempre vivi, qual era a dificuldade? Estreitei os olhos, me xingando mentalmente. – Com a garota com quem vivo. Estamos pensando em fugir para um país de terceiro mundo e... Eu não acredito que estou te contando isso. – Parei por um momento, abrindo uma careta no exato momento em que percebi o que estava fazendo. Dei um tapa em minha testa, novamente me xingando mais arduamente. –É por isso que ela faz os planos. Eu sou quem os fode. Você poderia ser uma funcionária da prisão ou uma Sentry e eu nunca saberia. Genial! – Olhei para Ayra em tom cuidadoso, limpando a garganta em seguida. – Sinto que se contar isso a alguém, terei que te matar.

Abri um sorriso de canto por mais que eu desejasse por tudo no mundo que essa menina não ferrasse com meus planos de escapatória. Eu não queria tê-los estragado quando eu os almejava tanto. Eu tinha que parar de falar de mim para as pessoas e confiar em todos que eu havia acabado de conhecer. Ayra era sigilosa, eu percebia isso. Ela parecia estar sempre tendo cuidado com tudo e todos, inclusive para mínimo contato e por mais que eu sentisse que eu podia confiar nela, meus instintos poderiam estar completamente errados. Não seria a primeira vez. Eu tinha que deixar de ser ingênuo e aprender que a vida não funcionava como eu queria, nem todos eram amigos e queriam que eu prosperasse. Eu só, sinceramente, esperava que eu não tivesse ferrado tudo e acabado de dar minha localização para alguém que impediria minha fuga ou me traria em cativeiro mais uma vez.

Minha guarda baixou de novo – perigosamente – quando a menina me agradeceu por tê-la feito dar risada e se divertir. Me agradeceu! Eu não sabia muito bem se eu havia feito a brincadeira para o bem dela ou para o meu, mas independentemente, eu realmente achava que a situação dispensava agradecimentos. Eu havia me divertido também, logo havia tido um tanto de benefício próprio na situação. Eu precisava esfriar a cabeça e desestressar tanto quanto ela, não era nenhum favor. Abri um sorriso sincero, balançando a cabeça negativamente.

– Não me agradeça. Eu não estou te fazendo um favor, eu me diverti também. – Respondi em tom simpático, soltando uma risada divertida. – Não é sempre que se encontra um parceiro de basquete por aqui. Muito pelo contrário. A maior parte dos prisioneiros com quem tento conversar acabam querendo me matar.

Brinquei, por mais que parte do meu comentário fosse verídico. Eu havia conhecido algumas pessoas nada amigáveis e era raro encontrar diferentes disso. Eu havia conversado com três pessoas de quem valia a pena lembrar: Tess, Ayra e Möa. E acabava por aí.

– Se eu te disser que você foi uma das pessoas menos grossa que conheci por aqui, você acreditaria? Se está tentando ser rude com as pessoas, é bom que faça melhor. – Brinquei, dando risada em seguida. – Mas é claro que você não fará isso comigo já que eu já te conquistei totalmente.

Uma expressão quase de surpresa se formou em meu rosto quando escutei a pergunta da menina e isso fez com que meu Ego se inflasse loucamente de certa forma. O sorriso em meu rosto se alargou e pousei as mãos na cintura, fazendo uma espécie de pose, jogando o cabelo para o lado mesmo que fosse involuntariamente. Isso acontecia quando eu recebia elogios de mulheres bonitas, eu começava a me achar ainda mais e chegava a ser uma cena um tanto cômica. Tentei impedir que meu corpo reagisse daquela forma, mas não consegui. Ela havia me chamado de forte e no momento seguinte eu fazia o possível para mostrar meus músculos, o que fazia minha consciência – dormente no momento – querer dar risada. Limpei a garganta, balançando a cabeça negativamente, cruzando os braços de forma com que os músculos ficassem tensionados.

– Bem, não. Mas obrigado. –Dei risada em seguida, quase tropeçando em meus próprios pés quando tentei me aproximar. Isso serviu para fazer com que eu me desse conta do que estava fazendo e então querer corar como um pimentão, mas me contive. Apenas abri um sorriso sem graça, levando a mão até a nuca em seguida. – Força de um rapaz de dezoito anos normal, apesar de eu levar seu comentário como um elogio. – Dei risada, acabando por me divertir de minha própria situação. – Mas superforça seria um poder legal. Talvez eu assim eu poderia ter levantado você e a tabela de basquete.

Dei de ombros, observando a menina em tom completamente divertido.

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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Ayra Wlodzrek Ziemowit em Dom Ago 02, 2015 3:32 pm


Curiosamente, Mikka começou a contar seus planos como se eu fosse uma amiga antiga e isso me trouxe certo desconforto. Eu não podia confiar em alguém que confiava algo assim a uma pessoa que ele nem sabia quem era. Podia ser uma qualquer: uma sentry disfarçada, uma das queridinhas dos comandantes e repassar as informações para eles. Por sorte eu era apenas uma mutante que também queria sair dali e ir para o Brasil. Voltar, na verdade. Com seriedade, tentando mostrar ao rapaz que podia confiar em mim, assenti uma vez com a cabeça. — Não se preocupe, não vou contar nada a ninguém. Mas você tem que se cuidar, Mikka, eu poderia ser qualquer pessoa, como você mesmo disse. É fácil confiar em um rostinho bonito que nem o seu, mas nem por isso eu estou te contando meus planos.

Não pude conter uma risada estrondosa escapar com a ameaça dele de me matar. Abanei a cabeça e mordi o lábio inferior, fitando-o com uma superioridade que eu não costumava usar a não ser nesses casos. — Pra me matar vai precisar de mais do que um motivo desses, porque eu tenho um excelente motivo pra sobreviver. — Dei de ombros naturalmente, deixando que apenas uma sorriso gentil contrastasse com minha sentença dita em um tom sério. Ele não estava brincando, tampouco eu. — Sorte nossa que não ganho nada contando seus planos e não faz a mínima diferença pra onde você vai depois daqui, desde que sobreviva. Há duas coisas que eu não desejo a ninguém: morte e Oblivion. — Suspirei, tentando tirar um pouco da tensão que havia se instalado entre nós.

O comentário do rapaz sobre estar se divertindo também me trouxe certo conforto. Eu gostava de fazer bem as pessoas, independente se fosse rindo ou dando meu ombro e conselhos para quem precisava chorar. Tive que concordar com um aceno de cabeça quanto aos prisioneiros não serem dos mais educados. Eu tinha tido sorte de conviver com três prisioneiros até o momento e os três serem civilizados suficiente para um boa conversa, um banho de chuva e uma partida de basquete. — Eu acredito sim. Sem querer me gabar nem nada do tipo, mas tive uma boa educação. Meus pais sempre dizem que você deve ser gentil, mas não boba. Ter coragem, mas não ser imprudente. São conselhos que eu sempre levo pra minha vida e me ajudou muito até hoje. Sabe, Mikka, gentileza é grátis. — Fiquei a observar a bola de basquete, relembrando minhas últimas palavras. Eu sempre falava sobre família, sempre. Era algo que eu não conseguia conter. Eles estavam comigo o tempo todo, mesmo não presentes em carne e osso. Eles eram meu grilo da consciência enquanto eu era o Pinóquio. Eles eram tudo pra mim.

O engraçado em Mikka era o quanto ele gostava de elogios, mesmo que eles não fossem diretos. Meu chute sobre sua “super força” pareceu deixa-lo extremamente convencido. Ele fazia gestos estranhos de halterofilistas mesmo sem possuir músculos realmente grandes. Entretanto, era engraçado como tentava me deixar impressionada. Bem, querendo ou não, estava conseguindo. Era possível ver seus bíceps e tríceps divididos com o ângulo feito de seus braços. Mikka poderia não ter músculos de halterofilistas, mas eu não gostava de superfortes mesmo. Eu poderia dizer que ele estava na medida certa. O quê? Abanei a cabeça negativamente de forma sutil, como que jogasse os pensamentos para longe dali.

Oh, sim, sim. Eu vi uns desenhos animados meio antigos onde existe um personagem verde que é possuidor de uma força extrema! Cara, ele é muito... Desculpe a palavra... FODA! É uma pena você não ser superforte, estava começando a me encantar. — Soltei a última frase em tom de brincadeira, cruzando os braços sobre o peito e dando de ombros despretensiosamente. Mikka era bom em algumas coisas, incluindo fingir que não existia perguntar indiretas em outras perguntas, como a que eu havia feito no momento. Me aproximei dele, colocando a mão no queixo, fingindo analisa-lo de maneira mais profunda do que já fazia. Dei volta em torno do seu corpo como se procurasse algo mais ali. — Hm... Se não é super força, o que você esconde aí, senhor Mikael? — Indaguei dessa vez sem rodeios, parando de girar em torno dele e me postando à sua frente, mantendo a expressão de curiosidade.
717 palavras, com Mikka.


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Re: [RP] Same Old War

Mensagem por Mikka Iwan Wlodek em Qui Ago 13, 2015 8:16 am




A Good Man Goes to War


i'm not just waiting
i’m walking to find you
Ayra tentou me conscientizar, mas a parte que mais absorvi de seu discurso foi o "rostinho bonito". Um sorriso de canto se abriu em meu rosto e fiz o possível para tentar disfarçar meus pensamentos, principalmente porque eles eram idiotas. Ela tinha razão. Eu não podia confiar em ninguém, não estava ali para fazer amizades, mas era quase impossível resistir a um impulso quando este era o que fazia de você quem era. Eu não conseguia ser desconfiado, eu não conseguia ser cauteloso e calculista. Aquele era o trabalho de Möa. Já eu? Eu costumava ser o impulsivo que era bom para quebrar momentos de tensão, e eu havia me saído muito bem nisso até então, mas só. Eu não estava mais na Inglaterra, eu não estava mais na minha vida normal. Aquela era uma prisão e as pessoas que estavam lá tinham uma razão para terem sido presas. Eu só não conseguia fazer aquela informação entrar em minha cabeça, principalmente quando era com pessoas como Ayra e Tess com quem eu me deparava.

-Ótimo. Porque eu não estava querendo de matar e nem tenho ideia de como faria isso.

Respondi em tom brincalhão, por mais que no fundo aquela afirmação fosse real. Eu era um ladrão, não um assassino. Eu havia conhecido uma pessoa ou duas por ali cujo delito havia sido assassinato, mas no meu caso não. Eu havia roubado dinheiro para sobreviver, uma quantia - pequena, nada demais - de 2,5 milhões de dólares, mas o que era aquilo perto de uma vida? Eu não saberia sequer por onde começar e caso eu sucedesse, não sabia se minha consciência me deixaria sobreviver. Eu não me aguentaria, eu acho. Eu poderia ter todos os tipos de defeito, mas eu não era um assassino.

Acontece que nosso basquete se tornou, surpreendentemente, mais um bate papo que acabou sendo muito mais interessante do que eu imaginava. Ayra continuava a citar seus pais o tempo todo e por mais que isso devesse me incomodar por causa dos meus pais, não incomodava. Eu havia me desapegado tanto do meu passado que era como se ele nunca tivesse existido. Talvez eu fosse sequelado, mas eu ainda não sabia disso e isso era o que realmente importava. Porém eu não podia deixar de pensar em como a vida de Ayra - de certa forma - parecia ser mais fácil e melhor do que a minha. Eu não sabia nada sobre ela, é claro, mas o pensamento me deixou com um pouco de inveja pela qual me senti mal um pouco. Não importava a vida que ela tinha tido, no momento estávamos vivendo o mesmo inferno e eu lamentava por isso. Ela parecia ser uma garota boa.

-Oh meu Deus, você está falando do Hulk? -Exclamei em animação, talvez mais do que eu deveria, quando reconheci o super-herói do qual Ayra falava. Eu amava quadrinhos. Eles haviam parado de ser escritos há um bom tempo e provavelmente as pessoas da nossa geração sequer sabia sobre a existência deles, mas eu era um real fanático! Eu tinha algumas coleções que havia comprado quando morava na Inglaterra e havia desenvolvido um amor enorme pelos super-heróis. Talvez eu me espelhasse um pouco neles, justamente porque eles usavam dos seus poderes para fazer algo útil. Acho que eu via espelhado nas páginas de papel aquilo o que eu gostaria de ser. -Eu gosto demais de quadrinhos. É um pecado que eles não existam mais e um pecado maior ainda que as pessoas não conheçam tanto sobre eles. Já viu os filmes antigos? Os efeitos especais são meio ruins e desatualizados, mas os filmes são incríveis!

O sorriso em meu rosto morreu por um momento quando escutei a pergunta que Ayra me lançou. Eu não tinha problemas com meus poderes, na verdade eu tinha um pouco desde que havia chegado lá, mas não foi isso que me fez hesitar. Observei a menina, me perguntando se ela poderia ser confiada, mas eu já havia contado tanto sobre mim para ela que pensar que se ela quisesse fazer algo ruim para mim, ela já tinha material suficiente. Eu já estava na chuva, agora eu podia me molhar.

Geralmente eu podia fazer ilusões sem tocar as pessoas, mas por causa das injeções que tomávamos, eu estava mais fraco do que deveria e com mais problemas para me concentrar. Eu não gostava das alucinações porque - hoje - elas davam esperanças. Às vezes eu mesmo me confundia com o que era real e o que não era, e quando descobria que o que era real era a Oblivion, eu entrava em uma depressão que durava semanas. Por isso eu não havia usado tanto os meus poderes quanto eu costumava. Era uma bênção e uma maldição ao mesmo tempo, mas depois de analisar Ayra e sua pergunta, ergui as mãos para ela, esperando que ela as segurasse com as suas. Eu sabia que ela era cautelosa e que não confiava em mim, mas tive a esperança de que ela fosse retribuir o gesto. Eu estava prestes a construir seu coração partido pelo inferno e depois quebrá-lo em milhões de pedaços novamente, mas seria ela quem decidiria se valeu a pena ou não. E eu deixaria o julgamento inteiramente a seu critério.

-Eu não vou te machucar.

Prometi, olhando fundo em seus olhos em prol de lhe passar segurança. Apenas fiquei lá, esperando uma resposta de Ayra e desejando que ela não me odiasse depois que eu lhe mostrasse o que eu podia fazer.

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